Era uma casa no meio do quarteirão de cor
azul, que tinha uma única janela na parte de cima que intrigava a vizinhança,
uma janela grande e até vistosa.
O que será que tem naquele quarto daquela
janela que nunca se abre por inteira?
Será que quem mora lá não gosta de sol?
Será que a janela nunca é aberta por inteira,
por que quem mora lá fica espiando quem passa na rua?
Por quê? Por quê?
Todos os dias a janela se abre pontualmente
as sete e quinze da manhã e o sol começa a tomar conta por volta das sete e
cinqüenta, oito horas ele brilha com todo o seu esplendor até as onze e meia
quando vai embora para iluminar outras janelas.
E não é para não deixar o sol entrar que a
janela fica com as cortinas semi-abertas, é apenas para o senhor vento fazer a
sua dança tradicional, no vai e vem que parece o balé dos anjos.
Quem pensaria em admirar as cortinas se
movendo? E que cada movimento parece ser uma dança de coreografia perfeita?
Crianças se enrolam nas cortinas para brincar
de esconde-esconde e às vezes as mais sensíveis ainda reproduzem o ‘balé dos
anjos’, sacudindo e puxando as cortinas para lá e para cá, até sua mãe dizer
brava: “saia já daí, vai rascar minha cortina”, oh! Mamãe deixa as crianças
fazerem o ‘balé dos anjos’ é tão belo.
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