quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A janela

Era uma casa no meio do quarteirão de cor azul, que tinha uma única janela na parte de cima que intrigava a vizinhança, uma janela grande e até vistosa.

O que será que tem naquele quarto daquela janela que nunca se abre por inteira?

Será que quem mora lá não gosta de sol?

Será que a janela nunca é aberta por inteira, por que quem mora lá fica espiando quem passa na rua?

Por quê? Por quê?

Todos os dias a janela se abre pontualmente as sete e quinze da manhã e o sol começa a tomar conta por volta das sete e cinqüenta, oito horas ele brilha com todo o seu esplendor até as onze e meia quando vai embora para iluminar outras janelas.

E não é para não deixar o sol entrar que a janela fica com as cortinas semi-abertas, é apenas para o senhor vento fazer a sua dança tradicional, no vai e vem que parece o balé dos anjos.

Quem pensaria em admirar as cortinas se movendo? E que cada movimento parece ser uma dança de coreografia perfeita?


Crianças se enrolam nas cortinas para brincar de esconde-esconde e às vezes as mais sensíveis ainda reproduzem o ‘balé dos anjos’, sacudindo e puxando as cortinas para lá e para cá, até sua mãe dizer brava: “saia já daí, vai rascar minha cortina”, oh! Mamãe deixa as crianças fazerem o ‘balé dos anjos’ é tão belo.

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